A Grécia foi a primeira civilização inteligente. Os gregos com sua mitologia, seu alfabeto, em que introduzindo as vogais, evoluíram de uma maneira exemplar nas percepções cognitivas dos homens, e, aliados à sua filosofia, foram de vital importância para o surgimento da propagação do conhecimento, usufruídas até os dias de hoje.
Foi através de Platão que a “humanidade” nasceu. A Grécia cultivava a sabedoria, cujo objetivo era propagá-lo entre seu povo. De acordo com Heidegger, foi nesta época que nasceu a técnica. Podemos dizer que ambas “nasceram” juntas, mas não necessariamente criada pelo humano.
Com o advento do teatro, a Grécia passou para a utilização da representação como uma forma de propagar tais fatos, passando após a reapresentação. A técnica da escrita veio em paralelo. Passou-se ao contexto histórico da metafísica, em que o tempo torna-se necessário.
O fato é que com relação aos valores presentes em nosso contexto, com a sociedade grega, estes eram idealizados de uma forma totalmente diferente. Na sociedade grega, o homem era uma “monstruosidade”, ou seja, não poderia atingir a perfeição. Naquela sociedade, a perfeição era um exercício dos deuses, dos quais se encontravam em um patamar acima dos homens. Ainda de acordo com a mitologia grega, foi com uma traição de um deus, Prometeu, que o homem passou a controlar seu destino através do conhecimento repassado dos deuses ao homem - diz a lenda que Prometeu roubou a chama do conhecimento e entregou-lhe aos homens. Aqui vale um parêntese para introduzirmos a Caixa de Pandora. A caixa foi enviada por Zeus para o irmão do Prometeu, o Epimeteu. A finalidade da caixa foi uma forma que Zeus vislumbrou de punir a ousadia do titã Prometeu. Prometeu alertou para que seu irmão não abrisse a caixa. Não adiantou nada. No presente veio ela, bela e esbelta, a Pandora. Mas ao abrir a caixa que veio com ela, Zeus enviou-lhe também todos os problemas que afligiriam a humanidade a partir daquela data. Foi assim que teve fim a idade de ouro da humanidade.
Cabe ressaltar que na Grécia, a harmonia da vida era denominada de Physis.
Aqui adentramos na sociedade romana. A ascensão de seu império fez com que seus idealistas enviassem estudiosos para a Grécia, a fim de adquirir o conhecimento da sociedade mais evoluída do mundo, até então.
A partir daí o que se vê é uma transferência de definições de uma sociedade em decadência, na forma da propagação de ideais, para uma sociedade que visava tomar conta do maior território possível, usufruindo o conhecimento. Desta forma, a physis citada em um parágrafo acima, passou a ser denominada de natureza.
Vale destacar também que a sociedade grega denominou/definiu o que hoje conhecemos como arquitetura, embora esta já existisse no Egito, muitos séculos antes. A grande prova deste fato são as construções de suas pirâmides, embora a metodologia utilizada para tal construção não fosse denominada ”arquitetura”, pois ela ainda não fora criada. Entendeu?
Martin Heidegger se vale em muito das observações do filósofo alemão Nietzsche. Nietzsche foi o filósofo que “matou deus”. Para Heidegger, este é um fato de extrema relevância para a mudança de rumo da humanidade. Aliás, humanidade não, agora se trata de pós-humanidade.
No século XVII é que se dá a grande troca de visão dos valores mundanos. O motivo desta mudança, Heidegger não sabe, mas sabe sim, que a humanidade nasceu com Platão e morreu com Nietzsche, assim como morreu a crença religiosa.
Até o século XVII, o homem acreditava que o ser supremo era deus, e que as respostas das quais não conseguiam obter, delegava à supremacia deste ente. Mas quando se passou a questionar até mesmo o até então, inquestionável, passamos a adentrar na era planetária. Diz-se, era planetária, pois nesta era, o homem vê o planeta de fora. O homem está para esta era, o mesmo que os deuses estavam para a sociedade grega.